Eu e minha Princesa.......
quinta-feira, 14 de junho de 2012
terça-feira, 12 de junho de 2012
Pará, amigos e boa pescaria.
Quando alguém fala em viajar, ir para
longe, principalmente para fazer coisas que gostamos muito (no meu caso uma boa
pescaria no Pará é imbatível), muitos pensam em – saída e chegada – pois a
pressa do nosso cotidiano as vezes nos impede de planejar, ou até de procurar
um percurso mais longo. O objetivo é apenas a chegada. Mas o que pouca gente
sabe, é que o verdadeiro prazer de uma viagem com família e amigos, está nos
preparativos, no percurso, nas paisagens, na boa conversa que só uma estrada
longa pode proporcionar. Quantos churrascos e latas de cerveja são consumidas
semanas antes no planejamento, mesmo que não haja nenhuma novidade para ser
dita, a simples proximidade do dia marcado já é motivo para reunir a turma e
acender o braseiro. E quando chega a véspera então.... aí nem se fala. Ninguém
dorme direito e a sensação de que está esquecendo alguma coisa é sentida por
todos. Na hora “H”, descobrimos que a bagagem não cabe no carro, e tem sempre
um condenado que esquece alguma coisa em casa, só pra atrasar.
Mas finalmente saímos, a
empolgação inicial é total, todos querem falar sobre tudo, mas a vontade geral
é de que as paisagens urbanas acabem logo, que entremos no estradão. Quando eu
ainda viajava no banco de trás, nas várias viagens que fiz com meu pai para a
região Norte, a nossa diversão no meio da noite era ver quem via bichos na
estrada, ficávamos vigiando o brilho dos olhos de algum animal aparecer depois
da próxima curva. Hoje as estradas estão mais movimentadas, com menos matas nas
margens e os bichos estão cada vez mais raros. Mas mesmo assim os prazeres de
uma longa viagem de carro são indescritíveis, como descrever o prazer de um
café com leite e um pão de queijo quentinho em algum lugar do interior de Minas
as 7:00 da manhã? Ou uma parada na Barraca do Robertinho na BR-040, onde o
cheiro de pinga boa se mistura com o do mel e do pequi? Ou um final de tarde
com o por do Sol na Região de Serra da Mesa – GO.? Isso sem falar na parada
noturna para provar um belo empadão goiano. E fotos.... muitas fotos. Parece
que queremos preservar cada momento. Fotos essas que também serão motivo de
muito churrasco e cerveja depois da volta pra casa. Entre uma briga e outra dos
filhos dá até pra ter um momento de silêncio, onde você pode realmente imaginar
se aquela reta da Belém-Brasília não vai acabar nunca. E para coroar isso tudo,
chegar na divisa de Tocantins com o Pará no final da tarde, embarcar o carro na
balsa e sentar para ver o primeiro por do sol no Araguaia. Daí pra frente,
aceleramos um pouco (dentro do que a estrada permite) para satisfazer os amigos
que estão ligando e perguntando se estamos indo de ré, pois não chegamos “nunquinha”.
Depois da chegada, reencontro com
os amigos que moram lá, alguns que considero verdadeiros irmãos, cerveja e
churrasco (pra variar), mais um dia inteiro de viagem por estradas, na sua
maioria de terra, e a chegada no local da pescaria. Pode ser o Tocantins, o
Teles Pires, o Suiá-Missú, mas minha grande paixão é o Araguaião. Mas na
companhia da “cumpanheirada” certa, qualquer lugar vira o paraíso. Desarrumamos
os carros, sentamos na margem, olhamos os biguás e martim-pescadores nas
margens esperando algum lambarí desavisado. Longe um bando de guaribas começa
sua sinfonia de fim de tarde, um casal de botos sopra a superfície procurando o
jantar. A lua tá começando a aparecer por trás da mata na outra margem e o sol
já não aparece mais. Um gole longo na cerveja, uma vontade que o dia de voltar
não chegue nunca, e um dos amigos que vieram pela primeira vez quebra o
silêncio: “É Will, realmente é o céu mais estrelado que já vi”...... Se tivesse
um pouquinho de claridade eu jurava que ele estava com os olhos cheios d’água.
Para Cláudia, Igor, Nanda, Felipe, Juninho, Newton, Romano e
Lucas, Joãozinho e Elenice . “Cumpanheirada” da última viagem, “cumpanheiros”
de verdade.
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