Eu e minha Princesa.......

terça-feira, 12 de junho de 2012

Pará, amigos e boa pescaria.




Quando alguém fala em viajar, ir para longe, principalmente para fazer coisas que gostamos muito (no meu caso uma boa pescaria no Pará é imbatível), muitos pensam em – saída e chegada – pois a pressa do nosso cotidiano as vezes nos impede de planejar, ou até de procurar um percurso mais longo. O objetivo é apenas a chegada. Mas o que pouca gente sabe, é que o verdadeiro prazer de uma viagem com família e amigos, está nos preparativos, no percurso, nas paisagens, na boa conversa que só uma estrada longa pode proporcionar. Quantos churrascos e latas de cerveja são consumidas semanas antes no planejamento, mesmo que não haja nenhuma novidade para ser dita, a simples proximidade do dia marcado já é motivo para reunir a turma e acender o braseiro. E quando chega a véspera então.... aí nem se fala. Ninguém dorme direito e a sensação de que está esquecendo alguma coisa é sentida por todos. Na hora “H”, descobrimos que a bagagem não cabe no carro, e tem sempre um condenado que esquece alguma coisa em casa, só pra atrasar.

Mas finalmente saímos, a empolgação inicial é total, todos querem falar sobre tudo, mas a vontade geral é de que as paisagens urbanas acabem logo, que entremos no estradão. Quando eu ainda viajava no banco de trás, nas várias viagens que fiz com meu pai para a região Norte, a nossa diversão no meio da noite era ver quem via bichos na estrada, ficávamos vigiando o brilho dos olhos de algum animal aparecer depois da próxima curva. Hoje as estradas estão mais movimentadas, com menos matas nas margens e os bichos estão cada vez mais raros. Mas mesmo assim os prazeres de uma longa viagem de carro são indescritíveis, como descrever o prazer de um café com leite e um pão de queijo quentinho em algum lugar do interior de Minas as 7:00 da manhã? Ou uma parada na Barraca do Robertinho na BR-040, onde o cheiro de pinga boa se mistura com o do mel e do pequi? Ou um final de tarde com o por do Sol na Região de Serra da Mesa – GO.? Isso sem falar na parada noturna para provar um belo empadão goiano. E fotos.... muitas fotos. Parece que queremos preservar cada momento. Fotos essas que também serão motivo de muito churrasco e cerveja depois da volta pra casa. Entre uma briga e outra dos filhos dá até pra ter um momento de silêncio, onde você pode realmente imaginar se aquela reta da Belém-Brasília não vai acabar nunca. E para coroar isso tudo, chegar na divisa de Tocantins com o Pará no final da tarde, embarcar o carro na balsa e sentar para ver o primeiro por do sol no Araguaia. Daí pra frente, aceleramos um pouco (dentro do que a estrada permite) para satisfazer os amigos que estão ligando e perguntando se estamos indo de ré, pois não chegamos “nunquinha”. 

Depois da chegada, reencontro com os amigos que moram lá, alguns que considero verdadeiros irmãos, cerveja e churrasco (pra variar), mais um dia inteiro de viagem por estradas, na sua maioria de terra, e a chegada no local da pescaria. Pode ser o Tocantins, o Teles Pires, o Suiá-Missú, mas minha grande paixão é o Araguaião. Mas na companhia da “cumpanheirada” certa, qualquer lugar vira o paraíso. Desarrumamos os carros, sentamos na margem, olhamos os biguás e martim-pescadores nas margens esperando algum lambarí desavisado. Longe um bando de guaribas começa sua sinfonia de fim de tarde, um casal de botos sopra a superfície procurando o jantar. A lua tá começando a aparecer por trás da mata na outra margem e o sol já não aparece mais. Um gole longo na cerveja, uma vontade que o dia de voltar não chegue nunca, e um dos amigos que vieram pela primeira vez quebra o silêncio: “É Will, realmente é o céu mais estrelado que já vi”...... Se tivesse um pouquinho de claridade eu jurava que ele estava com os olhos cheios d’água.


Para Cláudia, Igor, Nanda, Felipe, Juninho, Newton, Romano e Lucas, Joãozinho e Elenice . “Cumpanheirada” da última viagem, “cumpanheiros” de verdade.

Um comentário:

  1. Eeeeeita veí, realmente uma das melhores partes foi a estrada, longa, demorada mas emocionante, aquelas retas "infinitas" que quando se olha para frente e para trás e só se vê asfalto, asfalto e mais asfalto! Aaaaa, a parada na barraca do robertinho, aquele mel silvestre que uma ANTA quebrou no caminho, hehe.... O Araguaia, realmente aquela maravilha imensa e aquele comentário na margem "Will, ne por nada não mas essa porra toda num é água doce mas neeeeeem fudendo". rsrs... Realmente viagens únicas. Aquele comentário dito uma vez a mim, que uma pessoa que vai uma vez é volta pela segunda ao Pará, volta por muitas outras vezes, é claro, vontade, não falta nunca!
    Grande Abraço, Juninho.

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