Foi com grande surpresa, e por que não dizer indignação, que li um artigo em uma das maiores e mais conceituadas publicações do Brasil (Revista Veja – ed. 2180 – no 35 – de 1º de set/2010) na matéria intitulada “Especial Cidades: Onde o Brasil mais cresce.” ( pág. 75-131), li o seguinte título: “Negócios quentes em Cabo Frio ” (pág. 91). Qualquer Cabo-friense que se preze ficará revoltado com o que o jornalista responsável pela matéria, Sr. Marcelo Sperandio escreveu. O cúmulo da utopia idealizada por esse rapaz começa assim:
“O dinheiro fácil do petróleo pode ser uma dádiva ou uma maldição. A Noruega usou-o para aprimorar ainda mais o seu invejável estado de bem-estar social; a Venezuela o desperdiça financiando uma tirania.”(Até aí tudo bem!) “Cabo Frio, no Litoral Norte do Rio de Janeiro está mais para o exemplo norueguês.”(Aí começou a complicar) “A cidade usa os royalties proveniente da exploração das reservas em sua costa para investir em outro presente da natureza: as praias de águas translúcidas coroadas por areias branquíssimas. O dinheiro recebido das petroleiras vem sendo aplicado na melhorias dos acessos aos principais pontos turísticos, na urbanização das ruas, em iluminação pública e e na atração de investimentos para o turismo” (Aí minha gastrite deu sinal de vida) .....“
Mais adiante, a coisa fica muito pior.
“......No verão os turistas lotam o shopping center local (??????) inaugurado no fim de 2009. Desde 2004 a receita da cidade com o turismo cresceu 50%. Outras áreas como educação e saúde prosperaram.” (Cadê meu sal de fruta?) “Os hospitais e clínicas locais atendem agora pacientes de 17 municípios vizinhos.,,,,”
E, acreditem ou não, tem muito mais de onde veio isso. Esse Sr. Marcelo Sperandio não deve nem ter botado os pés nessa cidade para escrever a matéria. O leitor da revista que lê a sua matéria imagina Cabo Frio como a cidade fictícia de poema de Luiz Fernando Veríssimo que diz assim:
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Amigo Marcelo Sperandio, sinto em te comunicar que Cabo Frio não tem um shopping que possa interessar aos turistas (exceto o shopping da Gamboa que foi inaugurado muito antes de 2009), a educação está largada às moscas e a saúde não consegue atender nem aos moradores daqui, quanto mais das cidades vizinhas. Quanto ao fato do exemplo norueguês, nós estamos mais para o exemplo venezuelano, já que aqui, como lá, o dinheiro também financia a tirania. Ah, esqueci, o único dinheiro que foi aplicado nas praias foi para encher nossa a amada Praia do Forte de pedras.
Abraços......
